
Depois de trabalhar por anos em uma empresa de aviação, como supervisora, dona Nizia Loubet escolheu um novo caminho profissional e encontrou no artesanato sustentável uma forma de empreender, gerar renda e contribuir com o meio ambiente. Utilizando resíduos como câmaras de bicicleta e tampinhas de garrafas PET, ela transforma materiais que seriam descartados em peças criativas, agregando valor à sustentabilidade e mostrando que nunca é tarde para recomeçar.
Cliente do Sebrae, a avó de três netos, dona Nizia encarou a virada e hoje atua na Pikena Biojoias e Presentes, em uma loja colaborativa localizada em um shopping de São Luís. Já são quatro anos como artesã e ela aproveita cada oportunidade para divulgar e comercializar suas peças; participa da Expo MEI e de espaços como a Feirinha São Luís, investe em capacitação, amplia sua rede de contatos e fortalece o propósito sustentável do negócio, transformando clientes em parceiros na coleta de materiais recicláveis.
Histórias como a dela são cada vez mais comuns no Brasil. Com o aumento da expectativa de vida, mudanças no mercado de trabalho e o desejo de permanecer ativo, o empreendedorismo na maturidade cresce de forma consistente e revela uma nova realidade: pessoas acima dos 60 anos estão abrindo negócios não apenas por necessidade financeira, mas principalmente porque identificam oportunidades de mercado e desejam continuar realizando projetos pessoais e profissionais ou até por um propósito que vai além da obtenção de renda: contribuir para um mundo mais sustentável.
“Faço muita prospecção, divulgo os produtos, ouço o cliente para entender suas necessidades e procuro me preparar, porque o mercado é muito exigente e competitivo. Não abro mão de aprender, de fazer conexões com outros empreendedores, de atuar de forma colaborativa e valorizar as oportunidades que o mercado oferece e de mostrar para o cliente a importância da reciclagem e do cuidado com o meio ambiente”, conta a empreendedora.
Cenário promissor
A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025, realizada em parceria com o Sebrae, aponta um crescimento de negócios liderados por empreendedores como dona Nizia, entre 65 e 74 anos. O levantamento revela que quase 63% deles empreendem motivados por oportunidades de negócios, enquanto pouco mais de 32% iniciam o empreendimento por necessidade.
Os números reforçam uma transformação demográfica do país. Hoje, o Brasil reúne cerca de 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, número que cresceu quase 60% na última década. Além da experiência profissional acumulada, esse público traz como diferencial uma ampla rede de relacionamentos, conhecimento técnico e maior capacidade para identificar oportunidades de mercado.
No Maranhão, segundo dados da Receita Federal e IBGE levantados pela Unidade de Inteligência de Dados do Sebrae, hoje já são 40.774 sócios de empresas formais e ativas entre 60 e 68 anos. Destes, 88% atuam em pequenos negócios, sendo 61,8% homens e 38,2% mulheres.
Embora o crescimento seja visível, a vida desses empreendedores não é fácil. Eles enfrentam desafios como o preconceito relacionado à idade, a necessidade de adaptação às novas tecnologias e a constante atualização profissional. Por outro lado, a maturidade e a experiência se mostram um ativo competitivo e um diferencial para os que decidem empreender.
“Empreender não é fácil. Para mim, é uma oportunidade de crescimento e reinvenção contínua, que me faz muito feliz, pois me sinto útil, contribuindo com o meio ambiente devido ao trabalho que faço e ainda interagindo com várias pessoas e, assim, adquirindo mais conhecimento. Não enfrento dificuldades pela idade. Ao contrário, sou muito bem recebida no meio empreendedor, inclusive pelos mais jovens. As dificuldades, busco vencer com alegria e confiança”, reflete dona Nizia.